QUE DIFERENÇA FAREMOS?
***
O que nos incita a ir adiante? ir além, fazer alguma diferença? O que? Nossas vontades, amores, paixões, deleites, facilmente nos impulsionam. Claro! Mas será nossa indignação e asco, por pessoas e fatos, capaz de nos impelir a tomarmos alguma(s) atitude(s) em prol da coletividade? Em prol da moralidade? Capaz de fazer com que nos levantemos do sofá e façamos alguma coisa por nosso país, por nossa cidade, por nossa rua, nossa família, pelo maldito pivete ou pela maldita puta banditizados por nós?
Será? E se sim, será que Ele nos ajudará nessa luta com a qual começamos a flertar? Será? Será que no ingresso e no percurso da senda desta luta, nobre luta, pelos valores éticos e morais haverá Deus de ajudar-nos? Tomara!
O que buscamos ao bater à porta do vizinho corrupto que nos avilta com seu banquete iníquo? Por certo não é uma parte da herança maldita que ele acumula. Pelo menos não eu.
Então o que? O que nos move na busca pela justiça, pela ética e correção? O que nos faz nos indignarmos diante de tanta sacanagem?
Será o desabafo, o vomitar das indignações que sentimos nalma, nossa recompensa e, finalmente, o que nos incita a lutar?
Por que não partilhar do "tesouro" iníquo do vizinho? Por que não? POR OPÇÃO!! POR FÉ!! POR ESPERANÇA, PORRA!!
Por ouvir uma voz - eu ouço, você também, quero crer - quase silenciosa que não nos abandona nunca, a qual nos impele, coercitivamente, a lutar. Insanamente nos faz persistir, nos faz parecer, por vezes, sonhador, meigo, bobo. Mas verdadeiro, útil, bravo. Por vezes nos faz sentirmos sós no campo de uma batalha que parece perdida, que se apresenta desequilibrada a favor do inimigo. Inimigo? Qual inimigo??
Qual a medida para classificarmos aquele cara, ou aquela mulher ali, de inimigo? A inércia os torna muas? Posicionar-se em cima do muro os torna maus? E se o cara, ou aquela mulher ali, se coloca disposto a compartilhar do banquete dos ímpios, dos pilantras, isso o tornaria mau?
Ou será nosso inimigo uma mera insatisfação pessoal diante dos acontecimentos cotidianos que ocorrem a despeito de nossas vontades? Creio que isso também.
Mas também avilta, me revolta e incomoda o prejuízo alheio. O engano empírico, científico, maquiavelicamente exercido sobre o menos letrado, sobre o socialmente excluído, sobre o neguinho sem dente, sobre o velho doente, sobre a cadela gestante, a fim de roubar-lhes o pouco que têm. Para furtar-lhes o pouco que sonham, e vender-lhes a preço de mercado esperanças gratuitas.
Serão estes vendedores e saqueadores meus inimigos?
Puta que pariu!!! Meus heróis morreram de overdose. Puta que pariu!! Meus inimigos estão no poder. Puta que pariu!!! Ideologia eu quero uma para viver.
Nao quero duas nem três. Uma me basta. A ideologia da divisão igualitária do pão me bastaria. Claro que me refiro e diversos pães, e diversas padarias. Mas a divisão correta e igualitaria do pão me seria satisfatório.
Se os senhores que fazem as leis (vereadores, deputados etc) e os que a administram (prefeitos, governadores e o Presidente) se contentassem com sua fatia - sempre doce, coberta de granulado, cereja e mel - e respeitassem a fatia dos demais, estaria eu satisfeito.
Todavia, os glutões sempre comem demais, e nunca se satisfazem. Comem a minha fatia. A sua. Na do faminto, dão uma bela mordida.
Se os advogados - precipuamente destinados a zelar pelo controle do apetite dos glutões acima, bem como pela divisão de nossas refeições - se satisfizessem com sua fatia, estaria eu satisfeito.
Mas, lamentavelmete, algum deus grego, ou brasileiro, ou ainda americano ou europeu, parece ter se tornado o novo messias, o novo bambambam, o novo malandro da Lapa. Um deus bem gordo, que se lambuza todo em seu farto banquete. A figura que permeia o papinho cool dos happy hours das grandes metrópoles.
Todo mundo parece faminto agora.
Acho que vou colocar fogo na prefeitura. Quem sabe escreverei livros de protesto. Talvez torture, com meus prórios punhos, os glutões, mantendo-os a pão e água.
Preciso fazer alguma coisa contra toda esta covardia. Preciso fazer alguma coisa contra tanta hiprocrisia. Que carnificina. Que sujeira.
Hoje, voltei na farmacia para pagar uma divida de dez centavos que faltaram na compra de ontem - promessa é dívida! A cara do farmecêutico foi espanto. Não sei se pelo valor da dívida ou se pelo cumprimento da promessa. Acho que por ambos.