Cidadão Zé
sexta-feira, novembro 10, 2006
  FALAR MATA
Difícil acreditar que as palavras possuem um poder tão forte quanto às vezes imagino que possuem. É dificil acreditar que possuímos um poder tão forte assim. Na boca. Na língua. Claro que ele depende do gatilho cerebral, mas tudo depende do seu disparo mesmo.

Ontem por exemplo, em uma audiência, a certa altura, meu cliente tentou argumentar com o advogado da parte adversa. Este prontamente e de forma agressiva, crendo que meu cliente o estava ameaçando, interrompeu-o, não lhe dando margem para continuar argumentando. Cheio de latim na lingua fez meu cliente desistir de prosseguir em seus ingênuos e bem intencionados dizeres. Senti a iminente necessidade de intervir por meu cliente, e o fiz. Disse algo como "O douto colega interpretou mal meu cliente, o mesmo apenas se encontra indignado por presenciar tantas mentiras proferidas pela colega o por seu cliente nos autos do processo e, por isso, tenta desmascarar esse teatro". Disse isto pois era notória a má fé de ambos. Do advogado e do cliente dele que processavam meu cliente, um comerciante que passa por inumeras dificuldades para manter sua pequena loja, a fim de arranjar algum trocado.
Uma audiência nojenta. Um teatro dos vampiros. O advogado adverso instruindo seu cliente, que não sabia nem o que dizer. E eu ali, doido para soltar o verbo. Mas a tática contra os iniquos é aguardar, aguardar, silenciosamente aguardar até fulminá-los letalmente, e não ficar de bate boca, como eles esperam que fiquemos para pescar argumentos para sobreviver.
Bem, mas quando disse o acima narrado na audiência todos me olharam com cara de espanto. Todos sabiam das mentiras que ali estavam sendo contadas, mas as regras de etiqueta impedem, quase sempre, que os advogados sejam mais incisivos, diretos uns com os outros. E, claro, em muitas das vezes falta aos advogados vontade, coragem de lutar mais bravamente em busca da verdade, posto que os interesses são dos clientes e não seus.
Mas fico flertando alegremente com o poder das palavras que começo a descubrir. Na audiência de ontem o efeito das palavras foi como de uma nepalm, devastador. Partida quase encerrada. O golpe final foi obrigatoriamente adiado para um futuro mais ou menos próximo, diante da lentidão da justiça pátria.
O poder dos dizeres não deve ser confundindo com agressividade, que, aliás, é imperdoável. Tampouco com ingenuidade, senão não se sustenta, não contra argumenta, não vislumbra uma finalidade. Então, de forma serena e objetiva, os dizeres podem ser fatais. Que delícia! Claro que é necessário coragem, o tal gatilho cerebral. Sem seu disparo a boca não abre, só treme.
Esse poder está dentro de cada um nós. Às vezes adormecido por falta de estimulos, paixões. Às vezes por comodismo. Às vezes por falta de coragem. Mas existe. Ele é facultado a qualquer um. O teatro, teatrinho, que a vida social estabeleceu não oferta papéis aos verbalmente letais. Aos verbalmente pertinentes, relevantes. Não de graça. Eles lá não são bem vindos. Não são convidados. Mas quando entram no palco geralmente se tornam personagens principais. Naturalmente excedem os papeis de figurantes. Até porque destes o palco está cheio e cheio.
Então sejamos verbalmente ativos, é o mínimo, em nossa rede social, mal tecida e mal cuidada, que podemos fazer para modificá-la. Falando a gente se entende, falando a gente faz diferente.
 
terça-feira, novembro 07, 2006
  QUE SAUDADE DO RUY
Ruy, embora controverso, foi sem dúvida um dos grandes homens do brasil. Jurista, possuia traços marcantes de típicos estadistas. Sua contribuição foi fundamental para organização politica do país. Foi Ruy quem disse:


"O político planta couve para o alimento de amanhã. O estadista planta o carvalho para o abrigo do futuro".

Genial. Não vejo estadistas à minha volta. Não no planalto; não no senado; não aqui na câmara de vereadores.

Dentre os possíveis estadistas que conheço, destacaria minha avó. Ela se preocupa com as proximas gerações, com o meio ambiente, com a comunidade em que reside. VOVÓ para vereadora!!!
 
segunda-feira, novembro 06, 2006
  FREIO POR AMOR. MAS NÃO PARO.
O amor freia nossas ações mais contundentes. Mais enérgicas. Sejam estas quais forem. Seja uma ação contra a má educação do vizinho, fazedor de barulho até altas horas da madruga; seja o envio de um e-mail de protesto contra aquele vereador pilantra, sempre envolvido em manchetes de jornais subtraindo o que é nosso; enfim, qualquer ação contundente em face dos golpes que levamos e que possa gerar uma reação mais agressiva. Até por que os iníquos geralmente golpeiam abaixo da linha da cintura. Bem abaixo.
O amor é o freio que faz-me preocupado com os entes queridos, com a esposa amada, com o filho lindo, com as irmãs amigas, com os pais - eternos credores de meu amor. Como partir para batalha tendo-os vinculados a mim - sabendo que nem sempre estarei por perto para protegê-los-?. Sabendo que os glutões, quando interrompidos em sua ceia, tornam-se sobejamente agressivos.
Os laços fraternos fortalecem a prudência. Freiam os impulsos. Embora fortaleçam as convicções. Faz-nos melhores senhores da guerra, quando não nos tolhe o ímpeto de lutar.
 
terça-feira, outubro 31, 2006
  A JUSTIÇA É CEGA. MAS EU USO ÓCULOS
***
Muitas pessoas fazem piadinha quando digo que sou advogado. Uns dizem que se não existissem advogados o mundo seria melhor. Se não houvesse necessidade, também concordaria. Uns olham com aquele olhar de "pô, esse cara vai se aproveitar de mim".
Fico imaginando o porquê desta fama negativa numa profissão precipuamente destinada a proteger os interesses coletivos, promover a justiça, ajudar os injustiçados. Ao menos sempre foi isso que imaginei que faria, e que continuo imaginando que faço, embora por vezes imagine em fazer como naquele seriado em que o juiz (Nicholas Marshal) perseguia os bandidos que não conseguia punir, em razão de alguma lacuna na lei da qual se aproveitavam, e fazia justiça com as próprias mãos, sempre à noite e com fundo musical sombrio.
Não sei se pelo sangue árabe que corre em minhas veias, às vezes tenho vontade de visitar algumas dessas pessoas à noite - tal qual Nicholas.
Vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Sei que soa meio louco, radical. Mas às vezes a indignação me abalroa tão fortemente que tenho vontade de estrangular estes bandidos de terno e gravata.
Isto ocorre geralmente quando me deparo com a ineficiência da lei, não por sua letra, mas pelas condutas humanas que se sobrepõem e ela. Estes pilantras de Hugo Boss geralmente estão envolvidos com tráfico de drogas, prostituição infantil, desvio de verbas públicas e por aí vai, e acabam recebendo medalhas de honra ao mérito na câmara de vereadores de minha cidade. Meu Deus!! Isso me tira o sono. Será que tem algo de errado comigo? Alguma síndrome adolescente de querer fazer o bem? de querer berrar? Reflito sobre tudo isso... até para me demover de fazer alguma besteira.
Estamos próximos da eleição para escolha do presidente da OAB de minha cidade (uma subseção). Existem duas chapas. Uma é capitaneada por um advogado aparentemente honesto, o qual me parece ter as melhores intenções, de ser o mais moralmente correto. A outra chapa é capitaneada por um advogado sabidamente desonesto, corrupto, daqueles que falsificam documentos. Mais nojento que o shrek toda vida. Me desculpe este pela comparação.
E este pilantra está fazendo uma campanha maciça para eleger-se. Fez adesivos gigantes e espalhou-os pela cidade. Possui apoio de várias pessoas do comércio local, além do apoio de vários advogados que lhe dão tapinhas nos ombros pelos corredores do fórum local. Lá vem minha síndrome Nicholas novamente. Quando digo que este cara é um pilantra não é mania de perseguição minha, não, até porque meu signo perfeccionista me faz analisar todas as possibilidades e saídas possíveis. O fato é que o cara é um pilantrão mesmo que, aliás, se parece muito muito com o Severino Cavalcante! Imagine aí!
Então, possuído pelo espirito de Nicholas, fui conversar com minha tia sobre minhas revoltas e idéias incendiárias. Minha tia, com mais sangue árabe ainda do que eu nas veias , sempre foi uma ferrenha defensora dos fracos e oprimidos, avessa à injustiças. Como foi bom ouví-la!!. A experiência adquirida com os anos de vida valem mais do que ouro, creio. Ela me disse "A cesar o que é de Cesar", demovendo-me de minhas intenções noturnas de fazer "justiça". Me disse ainda, que para mudar as coisas ao meu redor eu não deveria me valer de atos terroristas (não que eu fosse matar ninguém) mas que deveria me tornar uma pessoa de poder, com uma caneta afiada, socialmente relevante e importante. Aí então poderia punir os pilantras, ajudar àquelas pessoas tão carentes de justiça. Suas palavras me consolaram. Tiraram o peso do mundo de meus ombros. Por enquanto.
A Cesar o que é de Cesar.
 
sábado, outubro 28, 2006
  QUE DIFERENÇA FAREMOS?
***
O que nos incita a ir adiante? ir além, fazer alguma diferença? O que? Nossas vontades, amores, paixões, deleites, facilmente nos impulsionam. Claro! Mas será nossa indignação e asco, por pessoas e fatos, capaz de nos impelir a tomarmos alguma(s) atitude(s) em prol da coletividade? Em prol da moralidade? Capaz de fazer com que nos levantemos do sofá e façamos alguma coisa por nosso país, por nossa cidade, por nossa rua, nossa família, pelo maldito pivete ou pela maldita puta banditizados por nós?
Será? E se sim, será que Ele nos ajudará nessa luta com a qual começamos a flertar? Será? Será que no ingresso e no percurso da senda desta luta, nobre luta, pelos valores éticos e morais haverá Deus de ajudar-nos? Tomara!
O que buscamos ao bater à porta do vizinho corrupto que nos avilta com seu banquete iníquo? Por certo não é uma parte da herança maldita que ele acumula. Pelo menos não eu.
Então o que? O que nos move na busca pela justiça, pela ética e correção? O que nos faz nos indignarmos diante de tanta sacanagem?
Será o desabafo, o vomitar das indignações que sentimos nalma, nossa recompensa e, finalmente, o que nos incita a lutar?
Por que não partilhar do "tesouro" iníquo do vizinho? Por que não? POR OPÇÃO!! POR FÉ!! POR ESPERANÇA, PORRA!!
Por ouvir uma voz - eu ouço, você também, quero crer - quase silenciosa que não nos abandona nunca, a qual nos impele, coercitivamente, a lutar. Insanamente nos faz persistir, nos faz parecer, por vezes, sonhador, meigo, bobo. Mas verdadeiro, útil, bravo. Por vezes nos faz sentirmos sós no campo de uma batalha que parece perdida, que se apresenta desequilibrada a favor do inimigo. Inimigo? Qual inimigo??
Qual a medida para classificarmos aquele cara, ou aquela mulher ali, de inimigo? A inércia os torna muas? Posicionar-se em cima do muro os torna maus? E se o cara, ou aquela mulher ali, se coloca disposto a compartilhar do banquete dos ímpios, dos pilantras, isso o tornaria mau?
Ou será nosso inimigo uma mera insatisfação pessoal diante dos acontecimentos cotidianos que ocorrem a despeito de nossas vontades? Creio que isso também.
Mas também avilta, me revolta e incomoda o prejuízo alheio. O engano empírico, científico, maquiavelicamente exercido sobre o menos letrado, sobre o socialmente excluído, sobre o neguinho sem dente, sobre o velho doente, sobre a cadela gestante, a fim de roubar-lhes o pouco que têm. Para furtar-lhes o pouco que sonham, e vender-lhes a preço de mercado esperanças gratuitas.
Serão estes vendedores e saqueadores meus inimigos?
Puta que pariu!!! Meus heróis morreram de overdose. Puta que pariu!! Meus inimigos estão no poder. Puta que pariu!!! Ideologia eu quero uma para viver.
Nao quero duas nem três. Uma me basta. A ideologia da divisão igualitária do pão me bastaria. Claro que me refiro e diversos pães, e diversas padarias. Mas a divisão correta e igualitaria do pão me seria satisfatório.
Se os senhores que fazem as leis (vereadores, deputados etc) e os que a administram (prefeitos, governadores e o Presidente) se contentassem com sua fatia - sempre doce, coberta de granulado, cereja e mel - e respeitassem a fatia dos demais, estaria eu satisfeito.
Todavia, os glutões sempre comem demais, e nunca se satisfazem. Comem a minha fatia. A sua. Na do faminto, dão uma bela mordida.
Se os advogados - precipuamente destinados a zelar pelo controle do apetite dos glutões acima, bem como pela divisão de nossas refeições - se satisfizessem com sua fatia, estaria eu satisfeito.
Mas, lamentavelmete, algum deus grego, ou brasileiro, ou ainda americano ou europeu, parece ter se tornado o novo messias, o novo bambambam, o novo malandro da Lapa. Um deus bem gordo, que se lambuza todo em seu farto banquete. A figura que permeia o papinho cool dos happy hours das grandes metrópoles.
Todo mundo parece faminto agora.
Acho que vou colocar fogo na prefeitura. Quem sabe escreverei livros de protesto. Talvez torture, com meus prórios punhos, os glutões, mantendo-os a pão e água.
Preciso fazer alguma coisa contra toda esta covardia. Preciso fazer alguma coisa contra tanta hiprocrisia. Que carnificina. Que sujeira.
Hoje, voltei na farmacia para pagar uma divida de dez centavos que faltaram na compra de ontem - promessa é dívida! A cara do farmecêutico foi espanto. Não sei se pelo valor da dívida ou se pelo cumprimento da promessa. Acho que por ambos.
 
EMBORA EDUCADO. EMBORA ADVOGADO. EMBORA BEM-CASADO. EMBORA BEM-NASCIDO. EMBORA ATÉ BONITO. ZÉ CONTINUA INVISÍVEL. ZÉ ESTÁ QUASE MUDO EMBORA NÃO ESTEJA SURDO. ZÉ DESEJA ABRIR PORTAS.

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